Reuters concede subsídio a projetos de fotojornalismo

Oito bolsas de 5 mil dólares serão ofertadas; as inscrições, que são gratuitas, vão até 15 de novembro

woman-407168_1280
Estudantes e profissionais de 18 a 35 anos podem participar.

2 de novembro de 2018 – Fotografia

A agência Reuters vai premiar 8 fotógrafos em começo de carreira com bolsas de 5 mil dólares para o desenvolvimento de projetos autorais. Inscrições até 15 de novembro.

Além do prêmio em dinheiro, a iniciativa também garante a divulgação dos projetos nas plataformas da empresa, bem como mentoria com o fotógrafo Yannis Behrakis.

Para participar, é necessário enviar um portfólio com 35 a 50 fotos, além de currículo e carta de apresentação explicando o projeto a ser desenvolvido com o valor da bolsa. Os candidatos devem ter de 18 a 35 anos. Só podem concorrer estudantes de fotografia ou profissionais.

Segundo o edital, serão valorizadas propostas que possam ser realizadas em poucas semanas ou meses e que sejam relacionadas à comunidade do participante.

Para mais informações, acesse o site do concurso ( em inglês).

 

Anúncios

Inscrições abertas para bolsa de Fotojornalismo

Selecionados podem escolher que país querem fotografar; valor da bolsa para cobrir os gastos é de até 5 mil dólares. Inscrições vão até 30 de setembro

image 2
Foto de uma das vencedora da edição de 2016 do concurso trata da crise dos refugiados na Europa. Autoria de Andrea Batarse.

23 de agosto de 2017 – Fotografia 

O Student Media Grants Program  vai selecionar estudantes que queiram desenvolver projetos fotográficos em nações frágeis ou afetadas por conflitos. Podem participar alunos de graduação e pós-graduação. As inscrições vão até 30 de setembro.

Interessados devem enviar proposta com informações como país escolhido, tema, atividades a serem realizadas e orçamento para o e-mail condevcenter@condevcenter.org . O programa vai cobrir custos de até 5 mil dólares.

Para saber mais informações sobre o modelo de projeto a ser enviado, acesse aqui ( em inglês).

Student Media Grants Program é organizado pelo Centro de Conflitos e Desenvolvimento da Universidade Texas A & M, o ConDev.

Projeto fotográfico aborda vitiligo de maneira poética

“Minha Segunda Pele”, da paulistana Bruna Sanches, trata da necessidade de aceitação e da beleza que pode surgir a partir de um novo olhar

1_ Ricardo Jayme
Blogueira Bruna Sanches posa para foto que faz parte do “Minha Segunda Pele”, projeto da artista sobre o vitiligo. Foto: Ricardo Jayme.

16 de agosto de 2017 – Fotografia 

Aceitação. Às vezes é necessária em relação a uma doença, a uma mudança inesperada ou ao fato de que alguém amado decidiu partir. Não importa a especificidade do caso e nem o grau de religiosidade que você tenha, a famosa frase de São Francisco pode ajudar : “Senhor, dai-me força para mudar o que pode ser mudado. Resignação para aceitar o que não pode ser mudado. E sabedoria para distinguir uma coisa da outra”. Hoje, O Pequeno Disparo quer discutir a relação entre fotografia- arte em geral – e tudo aquilo que não conseguimos mudar por meio do trabalho da paulistana Bruna Sanches, blogueira e editora de arte que criou o projeto sobre vitiligo “Minha Segunda Pele”. A partir da experiência dela, convidamos você a refletir sobre qual é o papel da arte no processo de aceitação.

2_Luara Calvi Anic
Foto: Luara Calvi Anic

Bruna e o vitiligo
Foi por causa do vitiligo que a paulistana Bruna Sanches desenvolveu o “Minha Segunda Pele”, trabalho composto por um projeto fotográfico e um blog sobre o tema. Bruna tinha 18 anos quando foi diagnosticada com vitiligo. No primeiro post do blog, ela conta o início de sua experiência com a doença: “Eu tinha 18 anos quando a primeira marca do vitiligo apareceu no meu rosto, bem no canto da boca. Tinha ido dormir com a pele perfeita e acordei assim, manchada. Naquela manhã, o despertador me chamou cedo para o trabalho, me fez levantar da cama sonolenta, lavar o rosto como se estivesse no piloto automático e começar a me maquiar, como fazia sempre. Assim que dei de cara no espelho, no entanto, o vi. Era um ponto pequeno, meio redondo e muito branco, à direita do lábio. Minha mão ficou parada no ar, o pincel molhado de base ainda sem usar.”

3_bruna_sanches
Foto: Bruna Sanches

De fato, o vitiligo, doença caracterizada pela diminuição ou falta de melanina em partes do corpo – o que resulta em manchas brancas de tamanho variável na pele- , muitas vezes se manifesta na segunda e terceira décadas de vida do paciente. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, a causa da doença não é clara, mas fatores genéticos parecem ser importantes. A doença atinge cerca de 1% da população mundial e não tem cura. Entretanto, há várias opções de tratamento, como medicamentos, fototerapia, uso de laser e técnicas cirúrgicas.

 
Após o impacto do diagnóstico, Bruna lançou mão de uma série de tratamentos para tentar conter a doença. Mas, depois de algum tempo lutando dolorosamente contra o vitiligo, ela decidiu parar de investir em tratamentos invasivos. O estopim foi uma cirurgia de enxerto. ” Eu decidi parar de me machucar. Eu já tinha me queimado com laser e tudo mais, já tinha tentado alguns tratamentos doidos. Eu ia fazer um enxerto e dois dias antes da cirurgia eu desisti. Aí eu escrevi um texto e postei uma foto nas redes sociais sobre isso, dizendo que continuaria me tratando, mas sem fazer nada que me machucasse. Tanta gente comentou e curtiu que eu decidi fazer o blog para colocar minhas fotos e escrever sobre isso”, conta Bruna em entrevista concedida por telefone.

4_bruna_sanches
Foto: Bruna Sanches
5_Pablo_Saborido
Foto: Pablo Saborido

Um novo olhar
Além da postagem, outro aspecto que ajudou Bruna a investir no “Minha Segunda Pele” foi o olhar generoso de familiares e amigos. A mãe comparou a pele de Bruna com vitiligo ao ‘ céu cheio de nuvens’ e uma amiga viu semelhança entre a pele dela e o tronco de uma jabuticabeira. “Isso foi despertando em mim um olhar mais poético para a doença”, comenta Bruna. E, assim, desde 2012, ela começou a registrar esse novo olhar em relação ao vitiligo por meio da fotografia.

6_bruna_sanches3 copy
Foto: Bruna Sanches

A partir daí a fotografia foi uma tábua de salvação. Se antes fotografava as manchinhas a pedido médico para acompanhar a evolução da doença, com o tempo ela passou a fazer os registros de maneira mais poética. Fotografar foi ajudando Bruna no processo de aceitação e ressignificação do vitiligo. ” Eu pensei: ‘eu tenho uma coisa que é tão minha. Eu acho que eu deveria fotografar isso’. E aí a fotografia surgiu como uma válvula de escape para mim; ela foi muito importante para eu aceitar o que estava acontecendo”, afirma.

 
Agora ela produz fotos que revelam um olhar todo especial para o vitiligo. Fazem parte do “Minha Segunda Pele”, fotos dela, de artistas convidados e de amigos que trabalham de maneira colaborativa. As fotos do projeto revelam um olhar carinhoso, especial e intimista em relação à doença. “Às vezes eu vejo uma situação que eu não consigo clicar, aí eu peço para um amigo: ‘olha, ajusta a luz e faz essa foto para mim’ “, conta.

7_Ricardo Jayme
Foto: Ricardo Jayme

Arte que cura
Para a psicóloga Simoni Alves, do espaço TEAR, a arte é uma excelente ferramenta terapêutica. No que tange à questão da aceitação, “ela pode ajudar muito nessa mudança do olhar”, afirma Simoni. Para ela, sempre podemos mudar a realidade, já que sempre podemos mudar a maneira como a encaramos. ” Provavelmente, para a Bruna, o vitiligo que ela tem hoje não é o mesmo de antes. Não por causa dos remédios, mas por causa da mudança que houve na visão dela sobre a doença”, diz.

8_Kessia riany copy
Foto: Kessia Riany

Sobre o poder da fotografia, e da imagem em geral, a especialista em terapia artística argumenta: ” O legal da fotografia ou da imagem abstrata é que ela sempre pode vir a ser uma outra coisa; ela não é um conceito estático. Uma pessoa pode ver uma imagem de várias maneiras. Pode, por exemplo, perceber o vitiligo como nuvens, como uma poça d’água ou como uma outra coisa. É essa a riqueza da imagem. Ela traz consigo uma força de criação, de vida. A imagem é um vir a ser. Conceitos são mortos, estáticos, mas a imagem é móvel, por isso ela carrega a gente”.

 
É pensando nesse potencial da fotografia e da arte como cura que agora a meta de Bruna é expandir o “Minha Segunda Pele” e tratar de outros temas além do vitiligo. ” A ideia é contar outras histórias além do vitiligo. Porque eu percebi durante esse processo que muita gente já se identificou com a iniciativa tendo problemas semelhantes, como psoríase ou queimadura. A ideia agora é de integrar e trazer cada vez mais as histórias de outras pessoas”. Ela finaliza: “Minha mãe sempre me dizia que a arte cura a dor, né? E as pessoas que participam do blog relatam também que foram fotografadas e começaram a ver beleza no corpo delas. Então isso para mim foi muito forte. A fotografia foi a válvula de escape para eu me transformar mesmo. A principal ferramenta para eu transformar a não aceitação em aceitação”.

Conheça o blog da Bruna aqui.

Este artigo também foi publicado no Resumo Fotográfico. 

 

Fotógrafo mineiro prepara livro sobre tango

Fotógrafo desde a década de 1980, Robert Serbinenko une paixão pela fotografia e pela dança argentina em livro inédito

Tango_div1_IIVX_4151
Série “Tango”. © Robert Serbinenko.

22 de maio de 2017 – Fotografia

Foi ao cobrir a passagem da tocha olímpico em Buenos Aires no ano de 2008 que o fotógrafo mineiro Robert Serbinenko teve a ideia de fotografar o tango. As fotos produzidas desde aquela época vão agora compor o livro “Tango & Milongas – De Gardel a Troilo”, a ser publicado ainda este ano pela Pomar de Ideias Editora. O lançamento está previsto para o mês de agosto, primeiro em Buenos Aires e depois em Belo Horizonte.

Segundo o artista, fotografar a dança é um projeto a longo-prazo, “que não dá para parar”, e é também um dos trabalhos mais significativos de sua carreira. “O livro vai mostrar os detalhes, as emoções e a paixão do tango em diversas situações”, promete o fotógrafo.

Serbinenko é fotógrafo publicitário e documental. Atualmente prepara projeto sobre o povo andino. Confira fotos da série “Tango”:

Tango_div1_R01_2176
© Robert Serbinenko.
Robert-Serbinenko_Tango_6
© Robert Serbinenko.
Tango_div1_RS2_1711
© Robert Serbinenko.
Tango_div1_DSC03867
© Robert Serbinenko.

Para conhecer mais o trabalho do artista, acesse www.robertserbinenko.com.

Este artigo também foi publicado no Resumo Fotográfico. Versão em espanhol aqui

 

Bolsa de estudos para fotógrafas

Mulheres de até 30 anos podem concorrer a subsídio de 5 mil dólares na 16ª edição do Inge Morath Award

1024_2000
Perto de Viena, 1958, Inge Morath. Inge Morath Foundation/ Magnum Photos

24 de abril de 2017 – Fotografia

A Magnum Photos e a Inge Morath Foundation vão subsidiar uma jovem fotógrafa que queira desenvolver um projeto documental de longo prazo. Pode concorrer ao incentivo mulheres de até 30 anos.

Para participar, é necessário se cadastrar no site do concurso e enviar proposta com 20 fotografias e descrição do projeto. As inscrições vão até 30 de abril.

A iniciativa é um tributo da Magnum Photos a Inge Morath (1923- 2002), fotógrafa austríaca que foi membro associado na agência.

Mais informações no site do concurso.

Quarenta anos de afeto

Nicholas Nixon fotografa as irmãs Brown por mais de quatro décadas em projeto que trata do amor e da passagem do tempo

05thebrownsisters
As irmãs Heather, Mimi, Bebe e Laurie ( da esquerda para a direita) posam para a primeira fotografia da série, datada de 1975.

13 de fevereiro de 2017 – Fotografia

Foi para escapar de um encontro rotineiro e tedioso que Nicholas Nixon propôs tirar a foto que seria a primeira de um projeto que duraria mais de quarenta anos. Era 1975 e Nicholas estava na casa dos pais da esposa, BeBe, em mais uma confraternização enfadonha, quando sugeriu que a esposa e as irmãs dela, Heather, Mimi e Laurie, posassem para a câmera. Quase um ano depois, em mais um evento entediante, dessa vez a formatura de Laurie Brown, Nixon fotografou de novo as irmãs. A partir daí, eles combinaram em transformar aquele gesto numa espécie de rito anual no qual produziriam uma foto que respeitaria a ordem das modelos (da esquerda para a direita, Heather, Mimi, Bebe e Laurie) e duas outras constantes: o formato da câmera 8×10 e a captura das imagens em preto e branco. Assim, então, decidiram: para cada ano, uma fotografia. E foi exatamente a coleção delas – com as irmãs lado a lado encarando a objetiva – que formou a série em que, ademais das nuanças em preto e branco, podemos encarar o nosso próprio estar no mundo – a questão dos laços afetivos, do passar do tempo e da própria morte.

moma_nixon_1978-750
Foto do ano de 1978

Em entrevista concedida ao Museum of Modern Art (MoMA) sobre o projeto, intitulado “The Brown Sisters”, o artista comenta que basicamente a única orientação que fazia as modelos era em relação à distância entre elas. “A única instrução que eu dou é ‘juntem-se mais, por favor’ se o espaço entre elas for grande. Se elas estiverem assim [ distantes umas das outras], você tem que recuar um pouco mais e os rostos delas ficam menores e, por isso, menos sensuais e fisicamente menos poderosos. Quanto mais juntas elas ficarem, maior a expressão dos rostos e dos gestos, e elas aparecem melhor no quadro”, afirma o artista.

1988.jpg
1988
moma_nixon_1999-.jpg
1999
05thebrownsisters_ss-2014.jpg
2014

As fotos de Nixon expostas em sequência inevitavelmente nos levam a pensar nas graduais mudanças – à época da primeira fotografia as irmãs tinham entre 15 e 25 anos – não só físicas, mas também psicológicas que podemos antever/ imaginar/ fantasiar diante das personagens que aparecem nas fotos. Além da personalidade de cada uma, é inevitável pensar na profunda relação afetiva delas – de fato, as irmãs parecem até mais unidas à medida que o tempo passa. Outra questão indeclinável é a da própria morte. Quando alguma das irmãs partir, o projeto terá continuidade? Nixon continuará tirando as fotos? Sobre o tema, o fotógrafo comenta “ Todo mundo sabe que certamente minha intenção seria continuar com o projeto até o fim, não importa o que aconteça. Tirar as fotos com três, com duas, e então com apenas uma delas. A grande questão é: o que acontece se eu morro no meio dessa história. Eu acho que nós vamos descobrir isso na hora certa”.

Nicholas Nixon é um dos mais célebres fotógrafos estadunidenses contemporâneos. Tem trabalhos em museus como o Metropolitan Museum of Art e o Museum of Modern Art (MoMA).

 

Fonte: Seeing Through Photographs – Curso online do MoMA.