Fotógrafo paraense registra as belezas da Antártica

João Paulo Guimarães conta como foi a experiência de fotografar no continente mais frio do planeta; veja as fotos

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Foca-caranguejeira descansa na base chilena Presidente Eduardo Frei Montalva.  Foto: João Paulo Guimarães

4 de abril de 2018 – Fotografia e Viagem

O fotógrafo paraense João Paulo Guimarães embarcou no Ary Rongel, navio da Marinha Brasileira, rumo à Antártica e fotografou a vida selvagem na região. Em entrevista concedida ao blog O Pequeno Disparo, ele explica como foi o dia a dia no continente e dá dicas de como fotografar em locais semelhantes.  “Quando a gente fala assim que nem a fotografia consegue descrever a magnitude exata do local, é verdade. Não tem como descrever a Antártica. É impressionante. Não tem como explicar o impacto que o ambiente te causa”, afirma o fotógrafo.

João esteve no continente por cerca de trinta dias, nos meses de outubro e novembro do ano passado, e enfrentou temperaturas de cerca de 10 graus negativos. “Quando eu desci do C-130 Hércules, avião da Força Aérea Brasileira, eu já quase não sentia o meu nariz. Eu tive que puxar rápido  a minha mão, porque ela já estava doendo muito. Eu olhava para o horizonte  e não via nada, por conta da névoa”, conta.

Ele explica que um dos maiores desafios para fotografar a região é conseguir lidar com o excesso de branco da paisagem.  ” É difícil pegar o contraste, por causa da luz que é muito forte, mas ele existe. Tinha momentos que eu colocava uma velocidade super alta no obturador, deixava o diafragma fechado, baixava o ISO para o menor valor e a luz continuava explodindo”, fala.

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​​Lobo-marinho,  Baía do Almirantado. Foto:  João Paulo Guimarães

João também explica que o tempo na Antártica pode surpreender e que isso também deve ser levado em conta na hora de fotografar. ” Dependendo da época do ano em que você vai fotografar, a Antártica pode te surpreender. Você pode sair um dia com uma 150-500mm, por exemplo,  porque tá nublado. Quando você menos percebe, o tempo mudou, o céu está lindo e com um solzão, e você consegue chegar mais próximo das coisas. Ao mesmo tempo, o sol bate na neve e retorna para ti e a possibilidade de ficar cego é real, então você tem que ficar o tempo todo com óculos escuro”, explica o fotógrafo.

Quanto ao equipamento, ele recomenda tanto a utilização de grande angulares como a de teleobjetivas. “Você tem que ter uma grande angular, não tem jeito. Você tem que ter para pegar todo o ambiente, porque esse cenário é maravilhoso”. Mas João lembra que teleobjetivas são indispensáveis também. ” Tem momentos que você precisa pegar coisas muito distantes, como uma baleia, e aí você precisa ter esse alcance. E tem também o lance de que você não pode chegar menos de 10 metros do objeto que você vai fotografar.  A sigma 150-500mm foi a lente que eu mais usei.  Mas usei  também muito a 18-105mm e  algumas vezes  a 70 -300mm”.

João agora quer dar palestras sobre a aventura para crianças e jovens de pequenas comunidades da região de Belém. ” Meu principal foco agora é trabalhar com essas crianças e adolescentes. Queria muito chegar para eles e dizer: ‘olha, gente, vocês moram aqui no interior, vocês são pobrezinhos, vocês não têm condições, mas vocês podem chegar lá se vocês souberem os caminhos'”, afirma.

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Atividade com helicóptero na Ilha Deception. Foto: João Paulo Guimarães

Ele mesmo já foi uma dessas crianças.  O projeto na Antártica é na verdade fruto de um sonho bem antigo. João conta que desejava ir até o canto mais frio do planeta desde quando tinha 12 anos. Com essa idade, ele assistiu a “Mar sem fim”, documentário no qual o navegador Amyr Klink dá a volta ao mundo circunavegando a Antártica. “Assisti àquilo e fiquei apaixonado pelo ângulo, pela iluminação.  Desde aquela época comecei a pensar : ‘eu vou para a Antártica. Eu quero ir para a Antártica”.  A oportunidade surgiu na vida dele anos depois,  quando, em contato com a Marinha de Belém, conseguiu uma vaga no navio de apoio oceanográfico Ary Rongel. Durante a expedição, conheceu a Ilha Deception, ponto baleeiro e vulcão ativo, a base chilena na região e a base de pesquisa científica polonesa  Henryk Arctowski .

Sobre o maior impacto da viagem em sua trajetória pessoal, o artista afirma: “fotografia é vida. Esse foi o grande impacto: vida. [ Com essa viagem,] percebi o quão pequeno eu sou e o quanto o mundo é grande”. Além de futuras exposições e palestras sobre a viagem, João promete voltar para a Antártica ainda esse ano em nova expedição, que agora vai durar cerca de 6 meses, para continuar a documentar a paisagem local.

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Este artigo também foi publicado no Resumo Fotográfico.  Versão em espanhol aqui

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