Aclamado pelo público, filme uruguaio ajuda a refletir sobre os horrores da ditadura

” Uma noite de 12 anos” narra a história do ex-presidente do Uruguai José Mujica e outros dois companheiros durante regime de exceção no país

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História trata do período em que José Mujica, Mauricio Rosencof e Fernández Huidobro foram presos políticos no Uruguai. Foto: Divulgação.

26 de outubro de 2018 – Cinema

O filme “Uma noite de 12 anos”, do diretor uruguaio Álvaro Brechner, não é um filme excepcional, mas aborda com eficiência técnica o tema da ditadura e suas consequências.

Em tempos nos quais jovens incautos – às vezes não tão jovens ou não tão incautos assim – põem a história em xeque nas redes sociais e chegam a duvidar da ocorrência da Ditadura de 64 ou do Holocausto, trazer o tema à baila de forma competente já é mérito suficiente para dedicar à obra um lugar na programação cultural familiar.

Baseado no livro “Memórias do calabouço”, escrito por Mauricio Rosencof e Fernández Huidobro, o longa narra a experiência dos escritores e do ex-presidente do Uruguai José Mujica durante o período em que foram presos políticos da ditadura uruguaia (1973- 1985).

Líderes do grupo guerrilheiro Tupamaros, os jovens ficaram durante anos encarcerados em prisões subterrâneas, sujeitos a todo tipo de restrição. O filme aborda brevemente a trajetória política dos personagens, mas foca acertadamente na luta pessoal deles para sobreviver física e mentalmente ao martírio.

A fotografia fria e os planos fechados, bem como o uso repetido da câmera alta (que mostra o personagem de cima para baixo, diminuindo-o), ajudam a fazer com que o espectador possa entender a experiência da tortura.

O som é outro recurso usado de maneira eficiente no longa – a ausência de trilha sonora em certas cenas e a ampliação de ruídos que remetem ao enclausuramento, como o fechar das portas ou o barulho de trancas, também ajudam o espectador a vivenciar a sensação claustrofóbica.

Validado pela crítica e aplaudido pelo público, ” Uma noite de 12 anos” cumpre bem umas das possíveis funções do cinema – a de nos fazer lembrar a história e refletir sobre ela. Por causa disso, é obra recomendável àquelas pessoas imprudentes que, ainda nos dias de hoje, cismam em relativizar os horrores inerentes a qualquer regime autoritário.

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