Autorretrato sem rosto

A obra que revela, e esconde, de Francesca Woodman

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House 4, Providence, Rhode Island, 1976

17 de abril de 2017 – Fotografia 

Durante sua curta carreira, Francesca Woodman produziu uma quantidade considerável de fotografias de excelente qualidade. Dos 13 anos de idade, quando ganhou a primeira máquina fotográfica do pai, aos 22 anos, quando morreu prematuramente, a artista produziu mais de 800 fotografias tecnicamente afiadas e cheias de personalidade. O feito, é claro, não é para qualquer um. Alguns anos após sua morte, a crítica começou a descobrir o trabalho da prodígio, que até hoje fascina amantes da fotografia não só pela excelência de sua obra, mas também pela atração que geram sua história e morte abrupta.

Na maioria de seus trabalhos, Woodman é não só aquela que dispara como também o objeto fotografado. Em seus autorretratos, é comum encontrá-la por vezes despida, o corpo fragmentado pelo ângulo escolhido, muitas vezes em cômodos vazios ou pouco mobiliados, com paredes gastas e de aspecto decadente. Em muitos casos não vemos o rosto de Francesca. O tipo de autorretrato que produzia mostrava muito, mas, impressionantemente, escondia ainda mais.  Apesar da quantidade significativa de sélfies da autora que podemos ver, não a descobrimos, não a encontramos, não a entendemos. O paradoxal em sua obra é que quanto mais vemos as fotos de Francesca, mais difícil se torna compreender sua personalidade. Ela brinca com a composição, com as ideias que foi capaz de criar, trabalha com texturas diferentes, longa exposição e movimento. Ela se mostra, se mostra, se mostra, mas não se revela.

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Untitled ( from Eel series), Venice, Italy, 1978
Space?, Providence, Rhode Island, 1975-1978 1975-8 by Francesca Woodman 1958-1981
Space 2, Providence, Rhode Island, 1975-1978

 

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Untitled Rome, Italy, 1977-1978

 

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From Polka Dot Series, Providence, Rhode Island, 1976

Muitos tentam relacionar a obra da artista com seu fim trágico. Francesca se suicidou aos 22 anos, jogando-se do alto de um prédio. Neste ato derradeiro, mais uma vez sua face não entrou em cena: conta-se que foi impossível reconhecer o rosto da moça, desfigurado pela queda. Francesca foi identificada pelas roupas que vestia.

Os pais de Woodman, também artistas, já deixaram claro em muitas entrevistas que não acreditam ser correta a linha de raciocínio que tenta criar uma relação entre a obra e a morte de Francesca. Segundo eles, a jovem normalmente era criativa, expansiva, irônica e cheia de vida. Mas o pai, George, confessa que lidar tão intensamente com a arte como o fez Francesca pode ser perigoso, já que por vezes o artista transgride tantas fronteiras que periga se perder no caminho.

O que é certo é que Francesca Woodman tinha total consciência de que ser artista tem mais a ver com o desenvolvimento de uma narrativa e indentidade visual própria do que  com o mero domínio técnico da máquina. Realmente à frente de seu tempo, sua obra é impactante, única e significativa. Influenciou artistas com Cindy Sherman e Nan Goldin.

Francesca Woodman nasceu em 1958, em Denver, Colorado. Filha do pintor e fotógrafo George Woodman e da ceramista e escultora Betty Woodman, morreu em 19 de janeiro de 1981, em Nova York.

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