Santiago do Chile – Bellavista

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Mapa de Bellavista, Santiago

27 de março de 2017 – Viagem

Decidi fazer um registro de algumas das memórias que tenho dos lugares pelos quais passei, já que viajar é tão importante para mim. Eu gosto de viajar do mesmo modo que gosto de caminhar horas pelas ruas – por qualquer rua, de qualquer cidade. Viajar é importante para mim não porque é modinha, competição implícita entre amigos ou sei lá o quê. Eu gosto de viajar porque caminhar e conhecer tem alguma coisa a ver com o meu próprio estar no mundo, com o porquê mais intrínseco à minha existência ( Porquê esse que venho inadvertidamente negligenciando mais do que o recomendado).

Não foi no Chile a minha primeira experiência internacional, mas é por esse país que vou começar. Já faz uns aninhos em que eu estive lá, foi em 2012, mas minhas impressões podem ser úteis para alguém. Eu fui fazer intercambio em Santiago e fiquei em terras chilenas uns 8 meses.

Quando eu penso na minha Santiago eu penso em Bellavista, com seus grafites, bares e visitantes de tudo quanto é lugar do mundo. Lá é o bairro boêmio dos estrangeiros. E foi lá que fiquei nos primeiros dias de minha estadia. Eu me hospedei no Dominica Hostel e me lembro de que foi excelente. As camas dos quartos eram separadas por divisórias de madeira, o que conferia alguma privacidade aos quartos compartilhados ( infelizmente, parece que já não é mais assim. Ao menos é o que parece segundo as imagens que vi esses dias no site de lá). Mas as áreas comuns continuam bonitinhas, aconchegantes e criativas – muitas delas trabalhadas também em madeira, como a cozinha e os lavabos. Lembro-me de que havia simplesmente amado o hostel e o staff. Tanto é que voltei nos últimos dias da minha estadia no Chile.

O hostel é bem próximo ao metrô ( Estación Baquedano), e em Santiago esse meio de transporte é bem tranquilo e prático, com exceção para os horários de pico, nos quais a situação complica um pouco ( quem vive em cidades grandes do Brasil, como São Paulo e Rio de janeiro, tem uma ideia do que eu estou falando…)

Em relação à vida noturna … é ótimo sair de algum dos vários bares ou danceterias que existem no bairro e parar para comer um completo, cachorro-quente com abacate ( a ‘palta’) típico de lá. Ou ainda comer um choripan, pão marraqueta com chouriço. Eu me lembro que próximo ao metrô havia uma barraquinha que vendia completos especialmente deliciosos, com um zilhão de molhos diferentes. Comi muitas vezes por lá… ( Como acaba rolando uma filazinha de gente esfomeada e embriagada, batedores de carteira às vezes aparecem pela região, então é bom ficar atento).

Nessa redondeza e sobre o rio Mapocho, há também o Teatro del Puente, centro cultural que funciona em cima da ponte metálica Vicente Huidobro, que é Monumento Histórico Nacional. Assisti a uma peça ali e gostei da experiência; sempre aconselho qualquer viajante a curtir um cinema ou teatro no país que está conhecendo, eu adoro. O espaço funciona desde 1998 e privilegia a dramaturgia nacional.

Muita gente gosta de visitar também o Patio Bellavista, shopping com boas opções de restaurantes e lojas. No bairro também está localizada uma das casas de Pablo Neruda, La Chascona, que é aberta a visitação, e o Cerro San Cristobal.

É um pouquinho longe, mas também já fui caminhando de Bellavista até o Cerro Santa Lúcia, parque público que fica na região central, onde dividi um ap com duas paulistas super legais. Mas antes de falar do centro da cidade, uma última doce lembrança sobre aquelas redondezas do Bellavista: aos finais de semana costumava ter uma feirinha ali, e, quando estava quase voltando para o Brasil, eu me lembro de dar uma olhada no artesanato local cantarolando “Te recuerdo amanda”, famosa canção de Victor Jara. Lembro-me de que uma artesã da feira me lançou um olhar sorridente ao me ouvir, a mim e ao meu sotaque, tentando cantar a música por las calles de la ciudad.

Sobre o Cerro Santa Lúcia e outros pontos da cidade, falarei no próximo post. Despeço-me por enquanto ao som de “Te recuerdo Amanda”:

Nota: “Te recuerdo Amanda” é uma clássica música chilena; é canção de amor e também manifesto social. A obra narra a história do casal Amanda e Manuel, trabalhador cuja vida é interrompida por causa das más condições de trabalho a que ele estava submetido. Faz parte do albúm “Pongo en tus manos abiertas…“, lançado em 1969 pelo artista Victor Jara.

 

 

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