Projeto fotográfico aborda relação paradoxal entre os norte-americanos e as armas

Fotógrafo Zed Nelson volta ao tema e produz o documentário “Gun Nation” em parceria com o jornal britânico The Guardian

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Mike, pai e defensor do direito irrestrito de portar armas. Fotos: Zed Nelson

20 de março de 2017 – Fotografia

“É  vital trabalhar com algo que você se importa”, aconselha o fotógrafo Zed Nelson. E foi exatamente por causa dessa máxima que Nelson decidiu, após fotografar durante anos zonas de conflito, investigar a realidade dos países que atuam como grandes fornecedores de armamento internacional, como os Estados Unidos, a Rússia e a China. Foi ao dar início a essa empreitada há 20 anos que Nelson optou por entender um pouco mais a realidade dos Estados Unidos, país no qual cerca de 30.000 pessoas são mortas todas os anos por arma de fogo. Na época, o fotógrafo tirou sua foto mais chocante, na qual um homem aparece usando calças no estilo militar enquanto segura um bebê com o braço direito e empunha uma arma com a mão esquerda em direção à menina. Agora, vinte anos depois, Nelson entrou em contato com alguns dos personagens que havia fotografado e tirou novas fotos, além de continuar a investigação sobre o tema e preparar o documentário “ Gun Nation” em parceria com o jornal britânico The Guardian.

Com o projeto, Nelson se propôs a investigar a relação do norte-americano com as armas sem se ater a grupos estereotipados que normalmente são responsabilizados pela alta estatística de mortes por arma de fogo nos Estados Unidos. Em vez de falar das gangues e dos criminosos, o fotógrafo decidiu abordar a questão focando-se na classe média branca norte-americana que compra e vende armas em todo o país. Seus fotografados representam americanos comuns que, imersos no constante sentimento de vigilância quase paranoica, se agarram à Segunda Emenda e agitam o debate em relação à restrição do porte de armas nos Estados Unidos. Como bem retratado no documentário e nas fotos de Nelson, enquanto alguns lutam por mais restrições, outros defendem o direito irrestrito ao acesso às armas com unhas e dentes.

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Richard Mack, 1996. Mack defende o acesso irrestrito a armas de fogo nos Estados Unidos
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Richard Mack, 2016
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Tom Mauser, 1999. Mauser acredita que deve haver alguma regulamentação. O filho dele, Daniel, foi uma das vítimas do massacre de Columbine.
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Tom Mauser, 2016
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Sarah Read, 1997. A família de Read é proprietária de uma loja de armas desde sua infância
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Sarah Read, 2016. Quase 20 anos depois da primeira foto, ela acredita que portar uma arma é uma necessidade vital para se proteger

As fotos da década de 90 foram tiradas em preto e branco. As fotos atuais, coloridas, matizam o debate ainda caloroso que assola o país conhecido por massacres como os da boate Pulse, em Orlando, e o de Columbine.

Vale lembrar que o projeto já havia rendido um livro e ganhado prêmios internacionais de fotografia, como o Alfred Eisenstaedt Award, o World Press Photo Competition e o Visa d’Or.

O documentário produzido em parceria com o The Guardian está disponível no site do jornal.

Este artigo também está disponível no Resumo Fotográfico

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