Filme “Mundo Deserto de Almas Negras” tem proposta interessante, mas é irregular

Longa é o primeiro do diretor brasileiro Ruy Veridiano

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Sidney Santiago em cena do longa “Mundo Deserto de Almas Negras”

27 de fevereiro de 2017 – Cinema

Baseia-se numa proposta interessante: a de imaginar uma São Paulo em que o preconceito é às avessas daquele que conhecemos. Na cidade em que se desenrola a história de “Mundo Deserto de Almas Negras”, a elite tem pele preta e a periferia é branca. Quanto à estética, o caráter experimental do filme lhe rendeu uma Menção Honrosa no Cine PE Festival do Audiovisual. Mas talvez o anseio em apresentar premissa e estética ousadas tenha colocado o cuidado com o desenrolar da história em segundo plano.

O filme conta como o advogado Oscar (Sidney Santiago) passa a se envolver com o crime organizado. Após aceitar a proposta da Fundação do Crime de levar um celular para um dos membros da organização que está na cadeia, Oscar vê o objeto ser roubado e, a partir daí, precisa tentar sobreviver diante das ameaças da Fundação.

Enquanto o advogado tenta remediar o problema gerado pelo roubo do celular, conhecemos a história dessa São Paulo fictícia que é igual e diferente da cidade que conhecemos. Igual porque mantém o racismo; diferente porque na cidade do filme quem sofre com o preconceito são os brancos.

Embora a premissa seja interessante, por vezes a tentativa de mostrar a discriminação às avessas soa demasiadamente insistente e artificial. Já a estética experimental pautada na “afrobrasilidade” (como pontua a equipe Heavybunker no site oficial do grupo) é um dos pontos positivos, bem como a trilha sonora.

No meio da experimentação estética e da proposta de enredo original, a história de Oscar, da Fundação e da própria São Paulo aparece mal contada. Ainda assim, vale a pena conhecer o longa.

O mais impressionante em “Mundo Deserto de Almas Negras” é que, apesar de tanta experimentação, o que mais destaca o filme de outras obras nacionais é o simples fato de haver nele um elenco majoritariamente negro.

Sob esse aspecto, o longa é exceção que confirma a regra, e isso nos ajuda a refletir, mais até que os diálogos incessantes do filme, sobre a sociedade desigual e racista na qual vivemos.

“Mundo Deserto de Almas Negras” tem direção e roteiro de Ruy Veridiano e é o primeiro longa-metragem produzido pelo coletivo HeavyBunker.

 
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