Quarenta anos de afeto

Nicholas Nixon fotografa as irmãs Brown por mais de quatro décadas em projeto que trata do amor e da passagem do tempo

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As irmãs Heather, Mimi, Bebe e Laurie ( da esquerda para a direita) posam para a primeira fotografia da série, datada de 1975.

13 de fevereiro de 2017 – Fotografia

Foi para escapar de um encontro rotineiro e tedioso que Nicholas Nixon propôs tirar a foto que seria a primeira de um projeto que duraria mais de quarenta anos. Era 1975 e Nicholas estava na casa dos pais da esposa, BeBe, em mais uma confraternização enfadonha, quando sugeriu que a esposa e as irmãs dela, Heather, Mimi e Laurie, posassem para a câmera. Quase um ano depois, em mais um evento entediante, dessa vez a formatura de Laurie Brown, Nixon fotografou de novo as irmãs. A partir daí, eles combinaram em transformar aquele gesto numa espécie de rito anual no qual produziriam uma foto que respeitaria a ordem das modelos (da esquerda para a direita, Heather, Mimi, Bebe e Laurie) e duas outras constantes: o formato da câmera 8×10 e a captura das imagens em preto e branco. Assim, então, decidiram: para cada ano, uma fotografia. E foi exatamente a coleção delas – com as irmãs lado a lado encarando a objetiva – que formou a série em que, ademais das nuanças em preto e branco, podemos encarar o nosso próprio estar no mundo – a questão dos laços afetivos, do passar do tempo e da própria morte.

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Foto do ano de 1978

Em entrevista concedida ao Museum of Modern Art (MoMA) sobre o projeto, intitulado “The Brown Sisters”, o artista comenta que basicamente a única orientação que fazia as modelos era em relação à distância entre elas. “A única instrução que eu dou é ‘juntem-se mais, por favor’ se o espaço entre elas for grande. Se elas estiverem assim [ distantes umas das outras], você tem que recuar um pouco mais e os rostos delas ficam menores e, por isso, menos sensuais e fisicamente menos poderosos. Quanto mais juntas elas ficarem, maior a expressão dos rostos e dos gestos, e elas aparecem melhor no quadro”, afirma o artista.

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1988
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1999
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2014

As fotos de Nixon expostas em sequência inevitavelmente nos levam a pensar nas graduais mudanças – à época da primeira fotografia as irmãs tinham entre 15 e 25 anos – não só físicas, mas também psicológicas que podemos antever/ imaginar/ fantasiar diante das personagens que aparecem nas fotos. Além da personalidade de cada uma, é inevitável pensar na profunda relação afetiva delas – de fato, as irmãs parecem até mais unidas à medida que o tempo passa. Outra questão indeclinável é a da própria morte. Quando alguma das irmãs partir, o projeto terá continuidade? Nixon continuará tirando as fotos? Sobre o tema, o fotógrafo comenta “ Todo mundo sabe que certamente minha intenção seria continuar com o projeto até o fim, não importa o que aconteça. Tirar as fotos com três, com duas, e então com apenas uma delas. A grande questão é: o que acontece se eu morro no meio dessa história. Eu acho que nós vamos descobrir isso na hora certa”.

Nicholas Nixon é um dos mais célebres fotógrafos estadunidenses contemporâneos. Tem trabalhos em museus como o Metropolitan Museum of Art e o Museum of Modern Art (MoMA).

 

Fonte: Seeing Through Photographs – Curso online do MoMA.

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