Nos dias de hoje, querer se informar é quase revolucionário

pessoa lendo

Opinião – 01 de novembro de 2019

Não importa a idade, o que percebo atualmente entre velhos e jovens é um apego ferrenho às próprias opiniões e um descaso em relação aos fatos. Dou um exemplo: ontem, enquanto caminhava com uma amiga, por alguma razão começamos a falar sobre o SUS. Ela, que tem uns 20 e poucos anos e estuda em uma das mais respeitadas universidades públicas do país, a UFMG, perguntou-me se o SUS já não existe, quase como quem pergunta apenas para confirmar uma informação.

Eu disse a ela que, sim, o Sistema Único de Saúde, singular em todo o mundo e referência em muitos países, apesar dos problemas, ainda existe. Minha amiga se apressou em afirmar que o SUS é péssimo e que deixa muito a desejar. É um caos. Um horror. Expliquei a ela que o SUS, dependendo da região ou do posto de saúde, sofre, sim, com muitas debilidades. Há sucateamento, profissionais desesperançados, desvio de verba. Como não cansamos de ver na televisão, infelizmente, pessoas chegam a morrer em filas de espera.

Entretanto, também é fato que o sistema que garante acesso gratuito a qualquer cidadão brasileiro é tido como referência no tratamento de doenças sérias, como a Aids. O Programa Nacional de Imunizações e a Estratégia Saúde da Família são, também, exemplos do que costuma funcionar com excelência. É importante lembrar que, mesmo com as debilidades, o SUS se destaca no cenário internacional porque é a materialização da garantia constitucional de que a saúde é um direito do cidadão e um dever do Estado.

Mesmo em países desenvolvidos, como os Estados Unidos, a população não tem tantas garantias. Lá, o programa estatal não é universal, e muita gente sofre para conseguir tratamento adequado. O que devemos fazer no Brasil, então, é lutar para melhorar e fortalecer o que já temos, e não apostar na demonização do serviço público.

Minhas observações não adiantaram muito. Prontamente, minha companheira de caminhada decidiu ignorar tudo o que eu havia dito. Reforçou, com bastante autoconfiança, que o SUS é simplesmente péssimo e sem jeito. Fim de papo. Antes disso, entretanto, não deixou de rir do fato de eu haver dito que éramos uma referência para alguns países.

Pronto. Mais uma vez, todos os meus dados e eu fomos colocados para escanteio sem a menor cerimônia. Minha amiga seguiu os passos de muita gente hoje em dia e, descartando qualquer possibilidade real de diálogo, apegou-se àquele fiapo geral de ideia que possuía desde o início da conversa a respeito do sistema de saúde brasileiro.

Voltei para a casa encucada com isso. Lembrei-me de haver escutado em algum lugar que a nova onda é a seguinte: se falam algo com o qual concordo, então essa afirmação é verdadeira. Se falam algo em desacordo com o que acredito, então só pode ser fake news. Acho que é isso mesmo o que acontece hoje em dia. As pessoas têm noções vagas sobre assuntos que afetam diretamente suas vidas, como o SUS, a universidade pública, a Amazônia, a população indígena. E, no final, só é verdade para elas aquilo que lhes cai bem.

Acontece que, muitas vezes, essas noções vagas sequer têm um fundamento concreto em dados ou pesquisas. Servem mais para fortalecer o discurso dos grupos que estão no poder. E, assim, aos poucos e de maneira bem discreta, até mesmo o mais pobre dos homens passa a incorporar, quase por osmose, o discurso daqueles que querem a privatização do SUS ou das universidades ( porque, afinal, esses serviços não prestam, não é?), o desmatamento da Amazônia em busca de riquezas minerais ou o repúdio a imigrantes.

É por isso que defendo que, com a chamada pós-verdade dos dias atuais, é cada vez mais importante comprometer-se com o aprendizado e com uma postura aberta para a descoberta, a investigação e o querer saber. Seja na sala de aula com professores ou numa roda entre amigos, dê a si mesmo o direito de duvidar daquilo que acabamos aprendendo por osmose. Em vez de preferir ganhar o jogo ou, como dizemos nesses dias estranhos, lacrar ou mitar, aceite o risco de mudar de ideia.

Além de isso ser mais honesto com o seu interlocutor, que pode querer aprender com você também, o gesto é, no cenário atual, basicamente revolucionário. Em um mundo no qual há muita informação cheia de interesses e pouco espaço para a curiosidade e o aprendizado, só se torna cidadão de verdade quem se predispõe a analisar dados e, a partir deles, prepara-se para o verdadeiro diálogo e para uma formação consciente da própria opinião.

 

Superestimado pela crítica, principal mérito de ‘Coringa’ é Joaquin Phoenix

Atuação intensa do ator salva o filme, que patina em roteiro que se esforça demais em convencer o espectador sobre o dramalhão que dá origem ao supervilão

O ator Joaquim Phoenix é Arthur Fleck no longa de
O ator Joaquim Phoenix é Arthur Fleck no longa de Todd Phillips.

14 de outubro de 2019 – Cinema

É uma pena, mas Coringa, de Todd Phillips ( Se beber, não case), é quase só um filme que se levou a sério demais. Para falar sobre isso, é preciso antes dizer que um dos grandes acertos recentes relacionados à realização de obras baseadas em HQs foi entender que se pode ir além do universo fantástico e tornar tais filmes instrumentos inteligentes para se pensar a vida real. Batman: O Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan, fez isso muito bem. Nele, adivinhem, o personagem mais interessante do enredo é justamente o supervilão, muito bem interpretado por Heath Ledger.

A ideia, então, de fazer filmes de super-heróis para todos e não somente para os fãs de histórias em quadrinhos é uma proposta interessante não só porque engorda o bolso da indústria com novos clientes, mas também porque pode adicionar camadas de reflexão a filmes por vezes rasos demais.

O problema neste Coringa, entretanto, é a dosagem empregada: curtindo essa nova linha, privilegiou-se um roteiro pesado e melodramático, a fim de nos convencer sobre o porquê de Arthur Fleck ter se tornado um grande vilão. O resultado bateu em mim como um dramalhão hollywoodiano dos mais chatos. A cena inicial do palhaço espancado, por exemplo, em vez de convencer, dá preguiça, de tão boba e pueril.

A partir daí, foi mais de uma hora e meia de filme antes da virada no roteiro. Todo esse tempo para convencer, de maneira beeeeem didática, sobre os motivos que justificam o surgimento de um dos mais marcantes personagens de Gotham. Que cansaço! Assim, vejam só, na tentativa de ser sério demais, o filme se torna, na verdade, raso. Agora começo a entender por que acreditam que valha a pena uma indicação ao Oscar. Mais um filme chato a concorrer à estatueta.

Leitores, deem uma chance ao novo, ao desconforto. Saiam dos enlatados e se aventurem em propostas diferentes. Como sugere o diretor franco-argentino Gaspar Noé, não vale a pena viver de McDonalds, bem como não é interessante o consumo de tanto cinema comercial norte-americano.

O cinema pode ser maior,  mais bonito, mais perturbador. Por isso, experimentem. Apostem no que é fora da curva, no que é avassalador e até no que é tedioso e ruim, desde que isso represente a diferença. Permitam-se crescer com o cinema e vivam a cultura de mais de um país. Afinal, por que apreciar a produção de um só lugar se há centenas de outras ideias esperando por nós por aí?

Coringa, ainda assim, tem algo de desconcertante e excepcional: não há dúvidas de que a atuação de Joaquin Phoenix, totalmente entregue ao trabalho, salva o longa. Apesar de difícil por causa de todo o resto, é interessante acompanhá-lo em seu processo físico de liberação do supervilão. As cenas nas quais ocorre a dança em que há a transmutação do personagem, são, indubitavelmente, primorosas. Espaços de respiro nos quais é possível curtir um pouco de poesia e originalidade.

Nota 1

Apesar dos poréns, dá, sim, para refletir sobre vários temas com a obra.  É possível pensar sobre saúde mental ( a frase ” a pior parte de ter uma doença mental é que as pessoas esperam que você se comporte como se não a tivesse”, que Arthur escreve em seu caderno de anotações, é excelente).

O principal, entretanto, é a crítica aos nossos tempos modernos ( viu a referência a Chaplin no filme?) e a como o sistema capitalista também contribui para o desenvolvimento da loucura na sociedade. Afinal, Arthur tem problemas psicológicos, mas perde as estribeiras de vez quando Gotham lhe nega assistência psicológica e o acesso a remédios controlados.

A velha crítica ao sensacionalismo da televisão, inescrupulosa quando o assunto é tripudiar sobre pobres e necessitados, também está presente, com referências claras a O rei da comédia, de Martin Scorcese. Outra forte referência é Taxi Driver.

Nota 2

Para quem não o conhecia, Joaquin Phoenix é um ator que já rendeu a Hollywood muitas performances marcantes.  Para saber mais, procure por ele em obras como Gladiador (2000), Johnny & June (2005), O Mestre (2012) e Ela (2013).

Ponto também para a fotografia do filme, que vai deixando de lado o tom cinzento para ganhar cores vivas à medida que o personagem se transmuta em vilão. Coringa ganhou o Leão de Ouro, o principal prêmio do Festival de Veneza, onde foi ovacionado pelo público.

Nota 3

Sobre a glamorização do mal. O problema nunca é da obra, nunca é do filme. Gente esperta vai compreender que Arthur sofria de um transtorno mental ( isso estava muito claro no filme, não é?) e entender também que nada justifica o que ele faz, embora não haja mal nenhum em mergulhar sobre as mais diferentes perspectivas de uma história.

A sessão à qual fui estava cheia. Repleta de gente que ficou em silêncio quase do início ao fim. As pessoas pareciam, como eu, um pouco desconfortáveis com a loucura que se apresentava na tela. Essa gente sabe que Arthur é transtornado. E ponto. Não vai, de forma alguma, achar cabível utilizá-lo como representante dos fracos e oprimidos do mundo real.

Mas acontece que havia um homem na sala  (e é claro que ele estava sentado justamente atrás de mim) que, lá pelo final do filme, começou a rir de maneira estranha, tipo Coringa, nas horas mais inusitadas. Conclusão: sempre há um espírito de porco que, por mero capricho ou por maldade mesmo, quer colocar medinho nos coleguinhas. Da mesma maneira, sempre vai haver gente que pode considerar essa ou qualquer outra obra como bastião para erigir as ideias mais tortas e mais estranhas.

Dentre todas as cenas deprimentes, nas quais Phoenix ostenta com maestria seu corpo magro, os dentes feios e o cabelo sujo e oleoso ( nada glamoroso, portanto), um grupinho  de espectadores vai preferir se concentrar no momento em que ele aparece grandioso, pronto para se liberar de tudo o que deu errado em sua vida. Para essa gente, só vai restar a ideia de que, depois de Arthur matar e se assumir como Coringa, veio a libertação.

E o filme dá essa guinada mesmo. Depois de falar baixinho e aturar muita chateação durante todo o enredo, o personagem principal se transforma em algo atraente: quando mata, torna-se senhor de si. A cena em que aparece dançando na rua,  no pé de uma escadaria que agora já não é mais um empecilho numa vida deprimente, mas sim um cenário de libertação, é o exemplo disso.

Quem tem a cabeça no lugar não vai, entretanto, sequer pensar em cair nesse discurso. Quem não tem, até pode. Afinal, há sempre aqueles que só estão à procura de uma justificativa. O problema, assim, não é o filme. São as pessoas e a falta de educação ( no sentido amplo da palavra) e de limites.

Quer ser fotógrafo? Conheça os 5 termos essenciais da fotografia

Entender conceitos básicos pode ser fundamental na hora de desenvolver sua habilidade fotográfica. Confira a explicação de 5 termos essenciais da fotografia que O Pequeno Disparo preparou para você

1
Aprender alguns termos básicos da fotografia é essencial para fazer boas imagens

15 de junho de 2019 – Fotografia – Atualizada

Quem é apaixonado por fotografia sabe que há certos conceitos que envolvem essa área que podem ser um pouco confusos, principalmente quando a gente está começando. Ter um pouco de dificuldade em compreender alguns termos essenciais da fotografia é normal, mas entendê-los bem é muito importante para todos aqueles que curtem fotografar.

Por isso, que tal aprender agora os 5 conceitos fundamentais dessa arte? Continue acompanhando este artigo e aproveite nossas dicas!

1. Diafragma: medindo a luz com o conceito número um entre os termos essenciais da fotografia

Na fotografia, o diafragma é uma peça localizada na objetiva que regula a quantidade de luz que vai entrar na câmera. Os números de abertura do diafragma variam de um valor mínimo, que pode ser 1.8 ou 2.4, por exemplo, a um valor máximo, como o f. 22.

Esses valores dependem das características da lente utilizada e se referem precisamente à abertura da peça no momento do clique. Quanto maior essa abertura, representada por valores menores como o 1.8 exemplificado acima, mais luz entra na câmera.

O diafragma também se relaciona com a Profundidade de Campo. Quanto mais ele estiver aberto, menor é a área de foco na imagem.

2. Obturador: controlando a exposição

Já o obturador é um dispositivo que controla o tempo de exposição do sensor ou filme. É como uma cortina que, se aberta por um período grande, deixa entrar luz por mais horas. Seguindo esse raciocínio, se a cortina se abrir e se fechar muito rápido, a luz tem menos tempo para atingir o sensor.

O tempo de abertura do obturador  —  ou o tempo de exposição  — aparece normalmente no formato 1/x, no qual x é a fração de tempo em segundos. Exemplos: 1/8000s é uma velocidade rápida do obturador; 10 segundos, ao contrário, é relativamente maior, por isso o dispositivo consegue manter a cortina aberta por um período maior.

Velocidades menores permitem, por exemplo, a criação de imagens que registram o rastro de um movimento,  como o desenho das luzes dos faróis de carros que circulam à noite pela cidade. Uma velocidade rápida, ao contrário, congela o movimento.

3. ISO: usando a sensibilidade do sensor em relação à luz

Entender o funcionamento do ISO é muito importante para garantir a qualidade das suas fotos. Ele mede a sensibilidade do filme ou sensor em relação à luz. Quanto maior seu número, mais sensível é o suporte à iluminação.

Assim, em condições de pouca luminosidade, pode ser necessário aumentar o ISO para conseguir fazer a foto. Mas atenção: quanto maior o valor desse indicador, maior é também a chance de a foto apresentar ruído, termo que se refere a pontilhados na imagem que comprometem sua nitidez.

4. Balanço de branco: pensando a temperatura de cor

O balanço de branco está relacionado à temperatura de cor da imagem. Normalmente, pode-se selecionar a opção automática das câmeras, mas o recomendável é que o fotógrafo aprenda a fazer o balanço manualmente. Controlando essa opção, é possível garantir  que a foto apresente uma tonalidade fiel àquilo que se vê no visor.

Pode-se, também, optar por “esfriar” ou “aquecer” a imagem. Sabe quando a gente tira uma fotografia de pessoas dentro de casa e elas saem com a pele amarelada, por causa da luz de tungstênio? É aqui que se pode corrigir a tonalidade da pele dessas pessoas e de toda a cena.

5. Fotometria: medindo a luz

A fotometria está, na verdade, relacionada a todos os tópicos anteriores. As máquinas digitais apresentam o fotômetro, que é aquela régua que aparece no visor e que pode ser controlada no modo manual.

O meio da régua, normalmente indicado por uma seta, marca a exposição ideal. O fotógrafo deve mudar esse indicador justamente pensando na quantidade de luz que ele quer que chegue no sensor da câmera, a partir de alterações no diafragma, no obturador e no ISO.

E aí, curtiu a explicação desses 5 termos essenciais da fotografia? Ter a definição deles na ponta da língua e entendê-los na prática é fundamental para você se tornar um fotógrafo competente e antenado. Agora, é só praticar e compartilhar essas dicas nas suas redes sociais. Que tal? Boa sorte e mão na massa!

Não quer perder nenhuma dica de fotografia? Acesse e curta a fanpage do blog.

 

Fotos raras de Andy Warhol ganham exposição em Londres

Em cartaz até o dia 11 de junho, “In and Out of Warhol’s Orbit: Photographs by Nat Finkelstein” mostra imagens inéditas do artista clicadas por fotógrafo norte-americano

‘Andy with Bolex film camera - Andy Zooms In’, 1965. - Copy
Andy Warhol com câmara na Factory, Nova Iorque, 1965. Fotografia de Nat Finkelstein.

03 de maio de 2019 – Fotografia

A Pround Gallery, de Londres, está com a exposição “In and Out of Warhol’s Orbit: Photographs by Nat Finkelstein” aberta para visitação até o dia 11 de junho. A mostra reúne fotos de Warhol em seu famoso estúdio, a Factory. O local, marcante para a história da arte, foi palco de experimentações artísticas e festas disputadas durante a década de 1960 em Nova Iorque.

As imagens são de Nat Finkelstein, fotógrafo nova-iorquino que começou a acompanhar Warhol em 1964 a pedido da revista Pagaent. Testemunhas vibrantes do movimento de contracultura que circulava por ali, as imagens inéditas mostram artistas conhecidos em ação, como Lou Reed e Bob Dylan, além do próprio Warhol.

Imperdível para quem gostar de arte e estiver no pedaço!

‘Andy with Spray Paint and Moped’, The Factory, New York, 1965.
‘Andy com spray de tinta e ciclomotor ’, The Factory, New York, 1965.
‘Andy Warhol with Group at Bus Stop’, New York, 1966.
‘Andy Warhol com grupo em ponto de ônibus ’, New York, 1966.
‘Bob Dylan with Andy Warhol and Gerard Malanga’, The Factory, New York, 1965.
‘Bob Dylan com Andy Warhol e Gerard Malanga’, The Factory, New York, 1965.

Serviço

In and Out of Warhol’s Orbit: Photographs by Nat Finkelstein

Data: até 11 de junho. De Segunda a sábado, das 10h às 19h. Domingo, das 10h às 18h.

Local: Pround Central, 32 John Adam Street, Charing Cross, Londres.

Não quer perder nenhuma dica de fotografia? Acesse e curta a fanpage do blog.

 

Abertas inscrições para concurso da Getty Images

O banco de imagens promete três bolsas de 15 mil dólares aos selecionados; inscrições até 15 de maio

camera-dslr-lens-52963
Interessados de todas as nacionalidades podem participar

26 de abril de 2019 – Fotografia

A Getty Images convida fotojornalistas a concorrerem a três bolsas no valor de 15 mil dólares para o desenvolvimento de projetos fotográficos. Inscrições até 15 de maio.

Para participar, os candidatos precisam enviar eletronicamente um resumo de até 500 palavras com a proposta do projeto a ser desenvolvido, bem como uma pequena biografia e um portfólio de 20 a 25 imagens. Os textos precisam ser feitos em inglês.

O júri da competição vai selecionar os trabalhos segundo a capacidade do candidato de executar a proposta com uma narrativa visual atraente em formato documental. Também serão avaliados portfólio, capacidade profissional e mérito do projeto.

Para mais informações, acesse o site da instituição (em inglês).

Gostou da dica? Então acesse e curta a fanpage do blog!

Com exemplos clássicos e contemporâneos, livro reúne a percepção de 50 fotógrafos famosos sobre a fotografia

“Fotógrafos sobre a fotografia”, de Henry Carrol, é mais uma obra sobre o tema lançada no Brasil pela editora Gustavo Gili

sfmoma_avedon_10_marilynmonroe
Marilyn Monroe, by Richard Avedon, 1957. Artistas clássicos, como Avedon, dividem espaço com fotógrafos contemporâneos em livro publicado pela Gustavo Gili.

19 de abril de 2019 – Fotografia

“Fotógrafos sobre a fotografia” (Editorial Gustavo Gili, 128 páginas, 85 reais), de Henry Carrol, promete ajudar a ” olhar, pensar e tirar fotos como os mestres” e pode auxiliar nisso mesmo. O livro, que faz parte da coleção do autor lançada pela GG Brasil, reúne a percepção de 50 fotógrafos sobre a arte a partir de imagens, citações, textos e entrevistas.

A obra apresenta análises curtas que explicam o estilo de cada fotógrafo de maneira didática, partindo, sempre, de uma frase dita pelos artistas. Há fotógrafos consagrados, como os norte-americanos Dorothea Lange, Man Ray e Ansel Adams, e contemporâneos, a exemplo da alemã- norte-americana Esther Teichmann e da dupla Broomberg & Chanarin, da África do Sul e da Inglaterra.

As citações que introduzem cada texto não só funcionam como frases de efeito passíveis de serem colocadas nas redes sociais para impressionar os amigos, mas também trazem consigo reflexões profundas, como as discussões sobre a relação da arte com a captura do passado, o registro do real, a diferença entre o analógico e o digital e sua ligação com sentimentos de perda e posse.

Um exemplo de reflexão proposta pelo livro é sobre como o tamanho de uma foto interfere no que ela pode comunicar. Para a holandesa Hellen Van Meene, ” o tamanho de uma fotografia é uma extensão do seu conceito” (p. 19). A artista retrata adolescentes em trabalhos de cerca de 28 cm e, por meio deles, convida o espectador a se aproximar e a interagir com a obra.

Sobre o trabalho dela, Carroll explica no livro: ” Se suas fotografias fossem maiores, nós interagiríamos com elas de forma muito diferente” (p. 19).  Além das citações e da apresentação do que pensam esses artistas, há cinco entrevistas com fotógrafos contemporâneos, a exemplo da norte- americana Olivia Bee.

Outro mérito do livro é tratar de várias áreas da fotografia, como moda, paisagem, retrato, interiores, fotografia de rua e artística. Quanto à diversidade dos artistas selecionados, a obra privilegia notadamente a produção norte-americana e a européia, sobretudo a britânica, com algum destaque para os japoneses ( a exemplo de Nobuyoshi Araki e Ryuji Miyamato) e pouquíssima participação de latino-americanos. O Brasil aparece representado pelo trabalho de Vik Muniz.

O autor do livro, Henry Carrol, é fotógrafo e tem outras obras na área, como “Leia isto se quer tirar fotos incríveis” e “Leia isto se quer ter muito sucesso no Instagram“, também publicados no Brasil pela Gustavo Gili.

Compacto (14.4 x 20cm),” Fotógrafos sobre a fotografia. Olhe, pense e tire fotos como os mestres”  é um livro fácil de carregar e atraente para quem curte fotografar e quer ter referências bacanas sempre consigo. O leitor pode buscar na obra autores que se aproximam de seus objetivos pessoais enquanto fotógrafo, utilizar o trabalho como propulsor de debates sobre a linguagem ou simplesmente aumentar suas referências para além dos artistas clássicos.

Citações da obra

Veja algumas citações do livro que ajudam o leitor a pensar nos aspectos filosóficos da fotografia:

” Finalmente descobri o que há de errado com a fotografia. É um homem caolho olhando por um pequeno buraco. Agora, quanta realidade pode haver aí?” — David Hockney, fotógrafo britânico, p. 14.

” Como consumimos imagens ou como elas nos consomem?” — Amalia Ulman, fotógrafa argentino-espanhola, p. 43.

” Quando você coloca quatro bordas em torno de alguns fatos, você muda esses fatos”  — Garry Winogrand, fotógrafo norte-americano, p.54.

” Quando uma pessoa olha para uma fotografia que você tirou, ela sempre pensará nela mesma”  — Jason Fulford, fotógrafo norte-americano, p.56.

” Tento tirar fotos como um alienígena”  — Lars Tunbjörk, fotógrafo sueco, p. 78.

” Sempre achei que nossa relação com a fotografia estava condicionada por um sentimento subjacente de perda”  — Bill Henson, fotógrafo australiano, p. 102.

Este artigo também foi publicado no site Resumo Fotográfico.

Gostou da dica? Então acesse e curta a fanpage do blog!

 

 

Foto sobre imigração nos EUA é eleita a melhor do ano

Vencedora do concurso World Press Photo retrata menina hondurenha aos prantos durante revista policial

untitled
Criança chora durante revista da polícia estadunidense em fotografia que ganhou o prêmio de foto do ano pela última edição do World Press Photo. Foto: JOHN MOORE/ GETTY IMAGES NORTH AMERICA/12-06-2018.

12 de abril de 2019 – Fotografia

O World Press Photo concedeu, nesta última quinta-feira (11), o prêmio de foto do ano à imagem que rodou o mundo de uma criança hondurenha aos prantos durante revista policial na fronteira dos Estados Unidos.

Por meio da fotografia, a criança de 2 anos, Yanela Sánches, e sua mãe, Sandra, tornaram-se ícones da imigração no governo Trump e estamparam a capa de jornais em todo o mundo. As duas foram detidas pela polícia ao cruzarem ilegalmente a fronteira com o México.

O trabalho é do fotógrafo John Moore, da companhia Getty. De acordo com o júri do concurso, o mérito da imagem está em representar a violência psicológica vivida pelos imigrantes que estão na ilegalidade.

Apesar de, segundo autoridades americanas, a família Sánches não estar dentro das estatísticas de imigrantes que foram separados de seus filhos, a imagem teve um apelo tão forte no cenário internacional que contribuiu para que o presidente americano revisse a política de imigração do país em junho do ano passado.

A fotografia foi escolhida entre mais de 78 mil concorrentes. O World Press Photo é uma organização fundada em Amsterdã que escolhe a melhor foto do ano desde 1955.

Gostou da dica? Então acesse e curta a fanpage do blog!